A liga do Cerrado
Segue abaixo a descrição dos heróis da Liga do Cerrado.
O líder da Liga do Cerrado é o Homem Suvaco. Ele é tocantinense e recebe esse nome devido os poderes emanados de suas axilas, que na variedade linguística popular de muitas regiões brasileiras são chamadas de Suvaco. Esse herói representa o trabalhador braçal tocantinense que em decorrência das altas temperaturas transpira muito e não tem condições financeiras de adquirir produtos básicos de higiene pessoal. O odor do suor do Homem Suvaco é tão “poderoso”que em uma das aventuras ele matou o terrível dinossauro “Calango”.
A origem dos poderes do homem Suvaco também é explicada por meio das crenças populares. Conta a lenda que a mãe dele quando estava grávida desejou comer carne de gambá, mas como ninguém teve coragem de capturar o animal, ela não teve o desejo atendido e assim, a criança nasceu exalando um cheiro muito desagradável.
A Liga do Cerrado conta com uma personagem vinda de Minas Gerais. O Homem Pochete. Ele é magro, desconfiado e não tem superpoderes natos. Carrega uma bolsa pequena na cintura onde estão seus dons e truques. De dentro da bolsa, ele retira objetos capazes de ajudá-lo nas situações de sufoco e perigo. Lembra os caixeiros viajantes e sacoleiros que em suas bolsas, malas e sacolas carregam inúmeros produtos que prometem facilitar a vida das pessoas no mais diversos contextos. Ele é um Batman ás avessas, sem porte atlético, dinheiro e traumas. Para Rocha, Stroher, Anjos e Sousa (2010), o Homem Pochete é o brasileiro que busca superar suas dificuldades com criatividade e alegria.
A terceira personagem é feminina e se chama Maria Paulada. Ela é maranhense e veio da região do Bico do Papagaio.
O poder de Maria Paulada está no tacape extremamente resistente. Esse instrumento é inspirado no “cacete” usado pelas quebradeiras para extrair as amêndoas do coco babaçu. Maria Paulada é personificação da mulher brasileira que é constantemente escondida pelos gêneros discursivos de beleza e moda. Ela é gorda, negra, sem letramento escolar, pobre e simples. No entanto, sua personalidade revela uma mulher corajosa, segura, livre e inconformada com as injustiças sociais.
Além de Maria Paulada, a liga possui outra personagem feminina, a Jeitosa. Ela veio de Goiânia, é muito vaidosa. Sua vaidade acabou levando Jeitosa a usar um tônico capilar nos cabelos que a tornou híbrida: a heroína desenvolveu mais uma vida. Os cabelos de Jeitosa possuem vida própria e sempre que possível ela consegue usá-los como armas nas batalhas.
Na sequência de nossos heróis regionais temos o Senhor Gambiarra. Ele também é tocantinense e seu nome se refere ao “jeitinho brasileiro” para resolver os problemas. Em algumas partes do Brasil, assim como no Tocantins, o brasileiro e sua criatividade conseguem encontrar soluções pitorescas para seus problemas imediatos.
O Senhor Gambiarra seria a retomada do personagem Macgyever em uma versão mais descontraída. Segundo Rocha, Stroher, Anjos e Sousa (2010: 8) “Pode-se dizer que é o tipo do ―homem-faz-tudo. Ele não possui superpoderes, mas com a sua inteligência é capaz de elaborar estratégias e criar experimentos científicos em favor da sociedade.”
A sexta personagem apresentada aqui é o Homem Pichilinga. A estrutura física dele é baixa e franzina. Como ele veio da Bahia e lá sofreu com a fome, o seu desenvolvimento foi comprometido pela subnutrição. Pichilinga é o nome popular dado a um ácaro presente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Essa bicho em contato com outros animais causa dermatites na pele em consequência da excessiva coceira. O Homem Pichilinga, além de entrar em espaços minúsculos e impossíveis à passagem dos demais heróis, é capaz de derrotar um exército inteiro apenas com o poder do comichão.
Por fim, o último personagem: o Caryocal, inspirado na nominação cientifica dada ao fruto Pequi, cariocar brasiliense cambess. Os poderes de Caryocal estão em um canhão presente no braço direito. Desse objeto são lançados laseres e espinhos. Tanto o laser como os espinhos fazem referência ao caroço de Pequi. O primeiro pela cor amarelada encontrada na popa externa de algumas espécies do fruto e o segundo pelos finos espinhos presentes no seu interior. Em caso de mordida no caroço do Pequi, os espinhos penetram profundamente na mucosa bucal, o que pode gerar dificuldades para extraí-los. Nesses casos, a pessoa machucada deve procurar um pronto socorro para retirar as pequenas farpas.





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